sábado, 25 de agosto de 2012

Morre o criador de Zebu, Orestinho


Vítima de acidente aéreo nesta manhã de sábado, 25, morre o criador de zebu, ex-diretor e ex-presidente da ABCZ, Orestes Prata Tibery Junior e sua esposa, Elen Martins Prata Tibery.

O acidente ocorreu próximo a cidade de Água Clara, município que fica a 193 quilômetros da cidade de Campo Grande, Mato Grosso do Sul, mais especificamente na área pertencente a Fazenda Serena, vitimando também o piloto da aeronave.

Em depoimento, publicado em 03/08/2012, pelo Grupo Publique, Orestinho externou sua visão sobre o Zebu, que, aqui o transcrevemos como uma simples homenagem.

"Até hoje não conseguimos definir o tipo ideal, com caracterização, carcaça e peso semelhantes, como, por exemplo, a Raça Angus conseguiu.”

“Passamos por várias etapas de modismos, todos eles desastrosos. Primeiro os baixotes, de perna mais curta, depois o pernaltas e, agora, a moda mais difícil que é a dos super pesados.”

“Esta, para nós a pior de todas, porque influi negativamente na fertilidade das vacas e dos touros.”

“Nas pistas, continuamos valorizando os mais pesados, isto faz com que vários expositores tradicionais abandonem as exposições por saberem o quanto o super peso prejudica os seus rebanhos.”

“Estamos valorizando vacas de 1.000 kg. Os bezerros estão nascendo com 50, 60 e até 70 kg, naturalmente precisando de ajuda do vaqueiro ou do veterinário fazendo cesariana.”

“Por que todos nós que temos criação de gado elite para pista e criação a pasto, praticamos estas seleções de maneira tão diferente.”

“A segunda, que é a menos valorizada, é, com certeza, a ideal, pois, descartamos as vacas que não dão leite, as que não parem todo ano, as bravas etc.”

“Na seleção elite para pista tudo isto é desculpado, pois, como vamos descartar a vaca “fulana” de altíssimo valor porque não da leite e só consegue prenhar através de métodos artificiais.”

“Temos o processo da FIV que “desencrava” estas vacas maninhas espalhando a genética da sub fertilidade para a pecuária nacional.”

“O processo da FIV, se praticado só em vacas de conhecida fertilidade e habilidade maternal traria um benefício fantástico para a nossa pecuária.”

“Porque exigem que touros de centrais tenham regras expedidas pelo computador sem levar em conta a boa caracterização, alguns com aprumos retos e outros defeitos exteriores, não aceitando touros puros de caracterização e carcaça perfeitas com certificado Elite expedido pela ABCZ, reservados pelo criador que conhece toda a família e não é escolhido só pelo tipo. Nenhum criador consciente reserva touro de vaca que tem problema de fertilidade e habilidade materna. Seria como dar um tiro no pé.”

“Por que não podemos usar o touro que queremos deixando a critério dos criadores usá-los ou não.”

“Graças a selecionadores como Torres Homem, Rubico Carvalho, Celso Garcia, Rodolfo Machado e Durval Menezes, fizemos um rebanho extraordinário. Eles fizeram os seus plantéis, acasalavam e curtiam a expectativa do nascimento de uma “mosca branca” como dizia o nosso saudoso Dr. Alypio. E, moscas brancas nasceram aos montes dos rebanhos destes visionários competentes.”

“Agora tudo mudou, a seleção do criador deve ser direcionada para DEPS “positivos” e os touros selecionados por programas que deveriam ser iguais, mas não são. Confiamos no da ABCZ, outros no da EMBRAPA, outros no do Raisildo. Qual deles seguir?”

“A grande maioria dos criadores tradicionais está fora das pistas. Criadores estes com um cartel enorme de campeonatos nacionais, quando os animais eram tratados com “arroz e feijão” e o super peso não era fator decisivo nas premiações.”

“Sabíamos como os juízes procediam. Seguiam o padrão racial da ABCZ a risca, animais com defeitos desclassificantes eram retirados. Não havia discrepância no julgamento dos animais que concorriam juntos em exposições diferentes.”

“Hoje, temos assistido animais tirarem 1º lugar e em outra exposição 8º ou mesmo não ficando entre os selecionados. Falta critério, falta respeito ao padrão racial que deveria estar no bolso dos juízes. Não estamos generalizando, temos alguns excelentes juizes.”

“Os criadores foram descartados dos julgamentos, como estão sendo descartados como selecionadores se não disserem “AMÉM” às novas regras.”

“Vamos continuar selecionando à nossa maneira e de muitos outros criadores acreditando na habilidade materna, no cio natural nos bezerros que nascem com 35 a 40 kg, valorizando as características raciais, a carcaça precoce e corrigida, na importância dos bons aprumos, nas vacas femininas e nos touros, que, quando vemos, dá vontade de usar."

Aos familiares e amigos os sentimentos da diretoria, funcionários e associados da GirGoiás.

Luiz Alberto de Paula e Souza, presidente

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